Não lembro o nome do autor da frase acima, nem sei em que circunstancia foi pronunciada, mas ela chega a propósito, no momento em que, mais um nordestino, toma posse de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Pois é, meus irmãos, o Senhor José Paulo Cavalcanti Filho, como reza o convite oficial, será recebido por outro nordestino, acadêmico Marcos Vilaça, para tomar posse na ABL, no dia 10 de junho. Já confirmei minha ausência, conforme pede o convite, a amizade é grande e grande a alegria, mas o mundo é vasto, o Rio fica tão longe daqui, nesses tempos de… ”
Apesar do pequeno desdém, embora sem maldade, com que sempre, de modo geral, nos trataram “os do sul” , da Bahia pra baixo, o brilho de nossa atuação na ABL sempre teve de ser reconhecido – João Cabral, Bandeira, Mauro, Ledo Ivo, Austregésilo, Raquel, para só citar alguns, – e até calando o orgulho de ter tido um de GARANHUNS ( gostaram?) como presidente, o poeta Celso Vieira, nós todos nos alegramos com Zé Paulo e com a amada Lectícia, companheira de todas as horas. E eu penso em como hoje estariam felizes os pais, Maria Lia, a mãe que “sempre teve quinze anos”, conforme escreveu o filho, e o pai, doutor José Paulo, tão queridos no Recife. Esta é uma posse mais que merecida. Intelectual, estudioso de literatura e literato, – especialista em Fernando Pessoa, respeitado em Portugal, autor de vários livros de crônicas, de poemas e até de CDs de cantoria ao lado de poetas populares, entre os melhores, como Oliveira de Panelas, Zé Paulo coleciona amigos e esbanja simpatia, Recife afora. Vai, Zé Paulo, pega esse avião, mas beija o que resta do meu Rio de Janeiro, antes que um aventureiro lance mão.